Prémio Floresta é Sustentabilidade
A floresta e as alterações climáticas
Da gestão da árvore à gestão do território
Vencedores da 5. edição
Rui Ladeira: “Vamos lançar medidas para apoiar a reconversão e a reinstalação de áreas florestais e tornar os Planos de Gestão Florestal mais digitais e mais simplificados.”
“A ação não pode continuar a ser adiada”
António Redondo alertou para a urgência de uma floresta resiliente face à variabilidade climática, apelou a uma mudança de paradigma na gestão florestal e advertiu para o agravamento do risco associado à biomassa acumulada após as intempéries.
Filipe S. Fernandes
“A floresta portuguesa vive hoje sobre uma pressão crescente que não pode ser lida como um fenómeno episódico. Importa assumir com rigor que não há soluções simples, mas também reconhecer que não nos estamos a preparar enquanto país para esta nova realidade”, afirmou António Redondo, presidente da Biond, durante o encerramento da cerimónia de entrega de prémios da 5.ª edição do Prémio Floresta é Sustentabilidade, iniciativa da Biond em parceria com o Negócios e o Correio da Manhã.
Para António Redondo, a raiz do problema é estrutural e multidimensional com a fragmentação fundiária, a ausência de ordenamento efetivo, a dificuldade emtraduzir o conhecimento técnico-científico em políticas públicas e, sobretudo, incapacidade de executar com rapidez aquilo que sucessivamente se identifica como prioritário. Este cenário foi agravado pela tempestade Kristin, que “devastou extensas áreas, deixando no terreno grandes volumes de material lenhoso que, não sendo rapidamente removidos ou geridos, aumentam dramaticamente a carga combustível e exponenciam o risco para o próximo verão, ilustrando bem este novo ciclo em que fenómenos extremos se sucedem e se reforçam mutuamente”, considerou António Redondo.
O presidente da Biondi fez uma análise quantitativa a partir de dados públicos para ilustrar a dimensão real da biomassa acumulada após as intempéries de janeiro e fevereiro. Se nos mais de 60 concelhos afetados, que contêm cerca de 855 mil hectares de floresta, “só tivermos 25 mil hectares a necessitar de intervenção — o que não chega a 3% dessa floresta, estes são os dados do Governo — e se o volume de madeira tombada ou partida, acumulada no solo, não for superior a 60 metros cúbicos por hectare, o que é um pressuposto igualmente muito conservador, o volume de biomassa lenhosa é 3 a 6 vezes superior aos combustíveis finos acumulados na floresta abandonada. Dito de outra forma, o volume que estará acumulado nestes 25 mil hectares corresponderá a praticamente um terço do consumo da indústria de pasta e papel de eucalipto durante um ano”.
A fileira do eucalipto como modelo de resposta
Perante a inércia do Estado, António Redondo destacou o que a Biond e os seus associados já demonstraram ser possível executar no terreno. Entre 2019 e 2023, intervieram em 110 mil hectares em cinco anos, com aumento da produtividade em mais de 20% e a redução do risco de incêndio em 3,3 vezes. A partir deste balanço lançou um desafio direto ao Governo. “Uma fração minúscula dos mais de 700 milhões de euros que se gastam anualmente no combate aos incêndios rurais, se aplicada diretamente em favor das centenas de milhares de proprietários florestais, poderia facilmente duplicar ou triplicar os resultados do esforço da Biond. Não é preciso inventar nada. Se nada se fizer, é porque nada se quis conscientemente fazer e o país, no tempo próprio, julgará essa falta de vontade”, sublinhou.
António Redondo encerrou a sua intervenção sublinhando que o problema não é de conhecimento, mas de vontade política, e apelando a uma mudança de paradigma que coloque a floresta no centro da estratégia de resiliência e soberania do país e que se passe do diagnóstico à ação. Como diz, implica “passar de um país que diagnostica exaustivamente os seus problemas para um país que os resolve com determinação no terreno e não no Powerpoint. A ação não pode continuar a ser adiada”.
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A importância da proteção civil e da valorização da madeira
Rui Ladeira anunciou a criação de 22 Áreas Integradas de Gestão de Paisagem (AIGP), dotadas de um mecanismo de 40 milhões de euros, a que se junta uma linha de crédito de 35 milhões de euros para prestadores de serviços e empresas da fileira florestal.
Filipe S. Fernandes
O secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, fez referência ao trabalho e ao papel da fileira do eucalipto na resposta aos efeitos das tempestades, como a Kristin, no país e na região Centro em particular, em que se procurou “manter o valor, dar um conforto aos proprietários, aos intervenientes do setor de que não há uma desvalorização do material, do património, seja individual, coletivo, empresarial, e que esse valor na cadeia é considerado e é tido em conta e não foi desvalorizado”. Salientou na cerimónia de entrega de prémios da 5.ª edição do Prémio Floresta é Sustentabilidade.que “o sinal que deram as indústrias, em particular as que estão aqui representadas através da Biond, é positivo e é de enaltecer e agradecer”.
Rui Ladeira referiu a importância de questões de proteção civil, da valorização da madeira e do material que está tombado, e da forma musculada de resposta para garantir as acessibilidades. A este propósito, deu o exemplo da disponibilidade de “50 milhões de euros para capacitar as comunidades intermunicipais com máquinas de rastos. São 18 no país e, nesta região em particular, são cinco, para estarem a operar para garantir as acessibilidades para a gestão florestal, mas também para a prevenção contra incêndios e a proteção civil”.
PEPAC e eucalipto
Fez ainda o anúncio da criação de 22 Áreas Integradas de Gestão de Paisagem (AIGP), dotadas de um mecanismo de 40 milhões de euros, a que se junta uma linha de crédito de 35 milhões de euros para que prestadores de serviços e empresas da fileira tenham tesouraria para comprar e armazenar matéria-prima, assegurando a capacidade de escoamento nos próximos meses. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) lançará hastas públicas e criará parques de madeira para acondicionar o material tombado até que as condições de mercado sejam mais favoráveis, salientando que foram impactados cerca de 1200 hectares de matas públicas, em que há áreas com mais de 90% de destruição em Leiria, região de Alcobaça e Nazaré.
Anunciou ainda que, no âmbito do PEPAC (Plano Estratégico da Política Agrícola Comum 2023-2027), será lançada uma medida para permitir a reconversão e a reinstalação de áreas, por exemplo, da fileira do eucalipto. “Garantir apoios e que estas áreas também são consideradas e apoiadas com os recursos públicos, que será a medida, vamos lançar duas, a 325 promoção de serviços de ecossistemas, 20 milhões de euros, e melhoria do valor económico das florestas, 10 milhões de euros”. Rui Ladeira referiu ainda que estão a “ultimar uma proposta de garantir que os Planos de Gestão Florestal (PGF) sejam uma coisa completamente diferente do que tem sido até hoje. Fazer com que sejam mais digitais, mais tecnológicos e mais simplificados naquilo que é a intenção de uma estratégia, seja para o proprietário individual ou à escala da paisagem, de modo coletivo”.
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O desafio não é planear mais, é decidir melhor e executar
Miguel Freitas, professor na Universidade do Algarve e ex-secretário de Estado das Florestas, propõe uma viagem do Big Bang à bioeconomia para repensar a resiliência florestal.
Filipe S. Fernandes
A resiliência tem uma longa viagem de 13,7 mil milhões de anos. Começou pelo Big Bang. A física, o momento da fundação, da criação, das leis. A resiliência aqui é, essencialmente, a estabilidade das leis. O segundo momento é o tempo da química, da estrutura, das relações, das ligações, da resiliência como consistência estrutural. O terceiro momento, o tempo da biologia, da orientação, dos sistemas de informação, a ideia da resiliência como adaptação. O quarto tempo, o tempo dos ecossistemas terrestres, da interdependência, da resiliência como capacidade coletiva. Finalmente, a economia, a coordenação e a decisão, o tempo das transformações conscientes”, explicou Miguel Freitas, professor na Universidade do Algarve e antigo secretário de Estado das Florestas, que foi o keynote speaker da cerimónia dos prémios Floresta é Sustentabilidade.
Este conceito de resiliência foi o fio condutor para diagnosticar os bloqueios do setor e apontar as escolhas que, na sua visão, podem transformar a floresta portuguesa num ativo estratégico de futuro. Miguel Freitas juntou a bússola para evocar a necessidade de orientação num percurso marcado pela tentativa e erro. A resiliência não é um conceito fixo, transforma-se consoante a escala temporal e o sistema em causa, ressaltou Miguel Freitas.
Eficiência e resiliência
“Quando falamos do modelo de eficiência, estamos a falar de otimização em cenários normais. Quando falamos de resiliência, estamos a falar de adaptação, de adaptabilidade dinâmica, isto é, da capacidade de responder àquilo que são choques, perturbações, e responder mantendo as funções. É trabalhando estas duas dimensões em conjunto que julgo que podemos encarar as respostas que procuramos”, considerou Miguel Freitas.
Esta recusa em opor eficiência a resiliência, propondo antes a sua conjugação permanente, levou-o a defender a passagem de uma gestão centrada na árvore para uma gestão do território, com criação de mosaicos e o uso da cobertura florestal contínua. Sobre o eucalipto, frequentemente acusado de inviabilizar consociações, Miguel Freitas foi taxativo. “A ideia de que não é possível fazer consociações com o eucalipto é uma ideia que não corresponde verdadeiramente à prática. Há experiências. Vale a pena conhecermos as experiências.” Citou como exemplo a Herdade do Picotino, com 650 hectares onde eucalipto, pinheiro, castanheiro e sobreiro coexistem em função da exposição e da produtividade de cada encosta, um modelo concreto de resiliência aplicada.
“Na floresta há mais arquitetura do que engenharia, e mais engenharia do que economia, mas precisamos das três. Precisamos da arquitetura, de planos e de planear a médio e longo prazo. Mas precisamos de decidir no curto prazo. Precisamos da engenharia de processos e de saber fazer. Mas, mais do que tudo, precisamos de economia, de modelos de negócio. Precisamos de mais conhecimento, de saber fazer, mas, mais do que tudo, precisamos de fazer fazer”, afirmou Miguel Freitas. Concluiu que o desafio não é planear mais, mas decidir melhor e executar com convicção.
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A floresta como restauro social e motor de adaptação climática
Três cientistas com perspetivas complementares que, no essencial, convergiam numa conclusão desconfortável. O conhecimento existe, as soluções estão identificadas e o problema persiste por incapacidade de decisão e de execução.
Filipe S. Fernandes
“Fala-se muito em restauro ecológico. Gosto muito de pensar no restauro do tecido social. Se as florestas de produção forem pensadas como florestas bem geridas, precisam de pessoas com conhecimento para ocuparem posições de emprego bem remuneradas, como valorização desse conhecimento”, defendeu Joana Amaral Paulo, investigadora do Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia, na mesa-redonda “A Floresta e as alterações climáticas – Desafios e Oportunidades”, moderada por Magali Pinto, jornalista da CMTV, e integrada na cerimónia de entrega de prémios da 5.ª edição do Prémio Floresta é Sustentabilidade.
Este restauro social é também um contributo das florestas de produção para a mitigação climática e a redução do risco de incêndio, porque “trazer as pessoas para estas zonas tem um impacto forte nas empresas associadas à gestão destas florestas de produção”. Considerou serem precisas políticas públicas que as apoiem neste sentido, porque para os modelos de negócio que atualmente há, existem desafios associados.
Sobre o papel da ciência florestal neste processo, Joana Amaral Paulo esclareceu que os modelos climáticos e florestais já existem e permitem fazer planeamento setorial de longo prazo, definir que espécies privilegiar nas ações de reflorestação e antecipar quais as que, por via das alterações climáticas, estão a migrar para outras latitudes. A discussão sobre espécies como o pinheiro, o eucalipto, as nativas, as exóticas, deve ser sempre ancorada no conhecimento científico disponível e não em preferências ideológicas.
Os pareceres e a execução
“O tema das alterações climáticas é um tema que produz por dia pelo menos 100 artigos, nas melhores revistas científicas, mas é um problema dificílimo de resolver, de mitigar, através da redução das emissões provenientes dos combustíveis fósseis, porque há países que elegeram os combustíveis fósseis como a sua riqueza, o fundamento da sua hegemonia à escala global”, afirmou Filipe Duarte Santos, presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável. O geofísico e professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa lembrou a distância que existe entre o diagnóstico e as decisões e execução de políticas públicas. “No CNADES, fazemos pareceres e mais pareceres, vamos agora fazer um grande parecer, que levou mais de um ano a fazer, sobre as zonas costeiras. Portugal está a perder área nas zonas costeiras, perdeu 14 quilómetros quadrados nos últimos 30 anos, mas depois, quando se fazem audições, vêm presidentes de instituições, a conversa é sempre muito simpática, cordial, mas depois a ação é extremamente difícil”, referiu Filipe Duarte Santos.
“O clima mediterrânico e, em particular, o clima português, é caracterizado por uma variabilidade de anos com muita precipitação a alternar com anos de seca”, afirmou Carlos Câmara, investigador do Instituto Dom Luiz da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Salientou que “o ciclo da água vai tornar-se mais intenso exatamente porque uma atmosfera com gases com efeito de estufa é mais energética e vai potenciar anos chuvosos com episódios extremos de chuva, anos secos com episódios extremos de seca”. Carlos Câmara apontou que o problema não se vai resolver a curto prazo, por isso, a alternativa é agir “por meio de ações de mitigação e adaptação.
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Floresta de produção com estratégia de conservação
“O projeto CCFORBIO é uma das faces do CESAM, Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro, porque representa a interação entre financiadores de natureza distinta, um privado, como a Fundação Belmiro de Azevedo, e outro público, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Ao mesmo tempo, trabalha em colaboração com vários atores e parceiros locais interessados na ciência que desenvolvemos”, explicou Amadeu Soares, diretor do CESAM. O projeto decorre numa área de pinhal, em Ovar, que ardeu em 2017 e estava invadida por acácia-longifólia. Começou pelo controlo de espécies invasoras, pela plantação de espécies protegidas, como o samouco e a camarinha, e pela recuperação do coelho-bravo, também protegido nesta zona. No caso das acácias, foram ainda testadas estratégias de reutilização e reaproveitamento.
Como explica Bruna Oliveira, investigadora do CESAM, “o projeto CCFORBIO integra todas as componentes do restauro ecológico, desde o desenho de toda a intervenção com decisores políticos e agentes locais até à monitorização por deteção remota, com recurso a drones e satélites, e à recolha de informação sobre os vários aspetos da biodiversidade desta zona”. Segundo a investigadora, o projeto enquadra-se e até antecipa o que “será a lei do restauro da natureza, porque temos uma floresta de produção em que introduzimos a componente da conservação, fazendo uma análise custo-benefício”.
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Os novos produtos sustentáveis do eucalipto
O Agroportal, plataforma de informação agrícola e florestal, foi o meio onde a jornalista Sara Pelicano publicou uma reportagem sobre a floresta de eucalipto plantada e gerida, com o título “Floresta da Gestão Ativa no Território aos Novos Bioprodutos de Valor Acrescentado”. Como explicou a jornalista, o fator distintivo estava no termo “gerido”, uma vez que essa dimensão é determinante para o desenvolvimento de uma economia de base florestal. “Esta economia, por um lado, leva pessoas ao território, tornando-o mais resiliente, inclusive face aos incêndios, e permite atividades como a pastorícia, a apicultura ou até o turismo”, disse Sara Pelicano.
Mas um dos principais eixos do artigo está na vertente industrial, que hoje já não se limita ao papel e à madeira. A investigação e o desenvolvimento permitiram o surgimento de novos componentes e produtos, como fibras usadas na indústria têxtil, contribuindo também para tornar este setor mais sustentável, ou embalagens de celulose moldada, mais amigas do ambiente. “Esta é a grande dimensão da floresta que quisemos mostrar. Floresta de eucalipto, sim, mas plantada e gerida, o que permite criar valor acrescentado para a sociedade”, conclui Sara Pelicano.
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A importância da gestão coletiva do território
Criada em 2009, a Organização Florestal Atlantis (OFA) é uma associação de desenvolvimento florestal sem fins lucrativos, sediada em Cantanhede, com quatro gabinetes de atendimento em Cantanhede, Mealhada, Oliveira do Bairro e Arazede. “Os nossos serviços vão desde o apoio ao proprietário nos aspetos mais burocráticos e técnico-legais até ao apoio na gestão, manutenção, certificação, consultoria e instalação”, afirma Jorge Sousa, coordenador técnico da OFA.
A dificuldade de gerir a floresta num território muito fragmentado, em contexto de minifúndio, é uma das principais preocupações dos proprietários florestais. Nesse sentido, a OFA criou, em 2024, o projeto Unidades de Gestão Conjunta (UGC), que pretende responder à falta de escala e à dificuldade da gestão individual, promovendo uma abordagem coletiva do território. “O projeto é de adesão voluntária e conta com apoios para a instalação, a gestão e a manutenção dos povoamentos florestais”, explica Jorge Sousa. Numa primeira fase, a associação contou com o apoio da The Navigator Company e, mais tarde, candidatou-se a fundos comunitários para desenvolver a manutenção das áreas de pinho. “Podemos gerir o minifúndio, mas temos de ter uma perspetiva de escala, para tornar todo o processo de gestão mais eficiente e mais sustentável. Gerir de forma desgarrada e individualizada não é o caminho indicado para o futuro”, considera Jorge Sousa.
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Aproximar as novas gerações da floresta verde
O projeto Educativo e Ambiental Maternidade de Árvores foi iniciado por Eliana Silva, professora e coordenadora, no ano letivo de 2021/2022. Aos alunos do primeiro ano compete fazer a sementeira de cerca de 500 a 800 árvores autóctones, como o carvalho-alvarinho e o sobreiro. Depois, envolvem-se no tratamento das plantas, e, geralmente, em novembro, plantam as árvores na Serra do Gerês, com a colaboração direta da Casa Comum da Humanidade, liderada por Pedro Sousa, e do agrupamento de baldios da Serra do Gerês. Este projeto surgiu assente em dois pilares. O primeiro é o pilar humano. Como explica Eliana Silva, “os alunos cada vez mais se afastam das origens, das florestas, do espaço exterior, e aproximam-se do mundo digital e virtual. E queremos fazer essa aproximação”. O segundo pilar é a floresta. “Queremos mitigar, de alguma forma, o impacto negativo que o ser humano tem na floresta, cá em Portugal, todos os anos. Não estamos só a plantar árvores, estamos a plantar o nosso futuro e a nossa missão é a floresta verde” concluiu Eliana Silva.
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O poder do arrefecimento verde
O projeto Laboratório de Arrefecimento Verde assenta num viveiro de árvores autóctones e procura levar estes conteúdos para as aulas de Físico- Química, mas também de Ciências Naturais, Biologia e Geografia. No estudo das alterações climáticas e da concentração de CO na atmosfera, os alunos verificaram que a evolução deste gás ao longo do ano não é linear, registando-se um decréscimo entre abril e outubro. Segundo Ernesto Magalhães, professor e coordenador do projeto, essa variação explica-se pela fotossíntese realizada pelas árvores, sobretudo no Hemisfério Norte, que contribui para a redução do CO na atmosfera. “É impressionante verificar que, entre abril e outubro, os níveis de CO descem devido ao papel das árvores. Daí a importância e a urgência de plantar mais árvores”, considera Ernesto Magalhães.
Fonte: Jornal de Negócios


